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Pessoas reais não cabem em nicho

Foto do escritor: Abrace Comunique
Abrace Comunique
31 de ago.
2 min de leitura

"Mulheres de 30 a 45 anos, classe B e C, interessadas em bem-estar". Frases como essa aparecem em quase todo planejamento de comunicação. E, de fato, cumprem uma função: ajudam a organizar estratégia, direcionar investimento, escolher tom de voz.


O problema começa quando essa definição, útil como ferramenta, passa a substituir a compreensão real de quem é o público.


O risco de transformar gente em categoria


Nenhuma pessoa se reconhece inteiramente em uma faixa etária e uma classe social. A paciente que chega ao consultório não é "mulher, 38 anos, classe B". É alguém que teve uma manhã difícil, que está com uma dúvida específica sobre a própria saúde, que talvez

esteja adiando essa consulta há meses por medo, vergonha ou falta de tempo.


Mulher loira sorrindo ao ar livre, apoiada num ombro, diante de cerca branca sob luz solar suave.

Quando a comunicação é construída só a partir da categoria, ela tende a soar genérica. Fala com todo mundo daquele grupo e, por isso mesmo, não fala de verdade com ninguém.


O que muda quando se enxerga a pessoa, não o dado


Marcas que se comunicam bem, na saúde, costumam ter algo em comum: elas escrevem para uma pessoa específica, com nome, rotina e dúvidas imaginadas — mesmo que essa pessoa represente centenas de outras.


Isso muda o texto. Ao invés de "nosso público valoriza prevenção", o conteúdo passa a soar como "sabemos que marcar aquele exame que você vem adiando não é fácil". A diferença entre as duas frases é a diferença entre falar sobre alguém e falar com alguém.


Quadro-negro com a frase REAL LIFE em giz branco e um desenho abstrato de linhas abaixo, em estilo minimalista.

Dado ajuda a mirar. Empatia ajuda a acertar.


Isso não significa abandonar dados demográficos ou pesquisas de público. Eles continuam sendo ferramentas importantes para direcionar investimento e prioridade.


O que recomendamos é que o dado seja o ponto de partida, não o marco de chegada. Depois de saber quem é, estatisticamente, o público, o próximo passo é imaginar essa pessoa de verdade — com as inseguranças, motivações e contradições que nenhuma

planilha registra.


Quatro pessoas sentadas em sala de espera, em silêncio; mulher segura celular, com fundo azul e bege.

Além disso, outra ação essencial: perguntar para quem, de fato, consome da marca, o que gosta, como se sente, o que é importante para ela.


Comunicação que nasce dessa forma tende a soar mais humana, porque está pensando em gente, não em número. E é exatamente esse tipo de comunicação que faz alguém pensar, ao ler um post: "parece que escreveram isso pensando em mim".


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